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E X C A V A T I O Casulo Asilo - Desinfectorium
A arte e o ser. Como a arte lida com os desconfortos existenciais? Com os “Elementos Fatais”. Como revelar através da arte, questões relacionadas à transitoriedade e finitude? Questões relativas ao tempo, ao nosso tempo? O corpo, as camadas de nós mesmos: Organismo, processos, metabolismos, transformações, adaptações, descendências... Camadas de formação física e mental, intestino, pélvis, sacrum, metacarpos, falanges, unhas, estômago, dentes, clavícula, escápula, ductus deferens, septulum testis, ductus excretorius, colon descendens, arcus cartilaginis... Sentimentos, sensações, crenças, pensamentos, desejos, conhecimentos, fragilidades, obsessões, castrações, fetiches, angústias, ansiedades, narcisismos... As relações entre arte e ciência, arte e medicina, arte e filosofia. A interligação dos “saberes”, sejam eles objetivos ou subjetivos, para desvelar e ampliar as percepções em relação às questões humanas. Percepções estas que nos remetem indubitavelmente a nuclearidade, por meio da análise interior e exterior, percebendo e questionando a relação entre o interno e o externo, tanto nas questões fisiológicas e matéricas como nas questões psicológicas. O interno em relação ao externo, o além das superfícies (excavatio), a ligação de ambas as esferas que na realidade se faz uma. Que pelos processos nos forma e transforma. Como tratar desse assunto através da arte e do pensamento? Como dissecar ou ao menos evidenciar essa complexidade? Um dissecar de membranas, de camadas, e a cada película revelada nós somos apresentados para nós mesmos. Mas de que forma? Como criaturas moldadas? Espécie animal? Seres autônomos e dependentes simultaneamente? Como lidar com as questões da presença? O estar e existir, a realidade factual e fatal. A subtração que nos é imposta pelo natural, pelas leis biológicas.
Quais são realmente os ganhos obtidos pela nossa “sacra e santa” sociedade capitalista contemporânea, ao catequizar a humanidade e limitar o pensamento, em troca do imediatismo e consumismo? Invertendo, colocando o homem como produto e o produto como ser vivente, e ainda recebendo ordens desse produto, sendo dominado por ele, o acumulando incessantemente para poder se satisfazer. O processo, a transmutação de ser vivente em objeto, “o homem não homem”, criando dessa forma o fetiche. Nossa cultura contemporânea que tem como principal objetivo rebaixar as potencialidades humanas (a subjetividade, criatividade, expressão, visão contemplativa, a reflexão, etc.), diminuindo o elemento humano. Transformando o homem em uma criatura inferior, postiço, um animal artificial, um escravo dos pensamentos pragmáticos e doutrinadores criados por ele mesmo. Tudo contribuindo para tal rebaixamento, leis, crenças, formas de conduta, a moral, a mídia de massa ridicularizando e adestrando a inteligência, a ciência sendo apresentada como uma espécie de nova religião, tão dogmática e mística como a própria religião. Toda espécie de domínio e anulação, sendo utilizadas unicamente para moldar de forma vermicular as principais capacidades humanas. Facilitando desta maneira a manipulação e o controle social. Como a arte pode realmente tratar desses assuntos, se ela mesma se encontra em um meio impregnado, atolado por todas essas questões? Desmistificando e revertendo tais questões!...
LOBO
Autor (a) : RODRIGO LOBO
Fonte :
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