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Como estudante de bacharelado em artes plásticas não tenho conhecimento dos discursos teórico-pedagógicos que circundam o ensino de arte, principalmente para crianças e jovens, mas reconheço a necessidade da formação de público para artes visuais e para a visualidade como um todo, já que o conceito de arte dentro do senso comum é muito defasado e já não dá conta do que é produzido. Quando esse público despreparado entra em contato com a arte contemporânea é comum que se ouça comentários do tipo: “Eu gosto mesmo é de arte clássica”. É compreensível, já que por muito tempo um dos trunfos do artista era sua capacidade de mago, de transformar aquilo que é tridimensional em bidimensional com fascinante verossimilhança. Antes do advento da fotografia era necessário confiar na capacidade de mimese de artistas para que o conhecimento fosse passado adiante, e aí se inicia a tradição da imagem como verdade. A indústria publicitária ainda se utiliza muito desse recurso e não são raras às vezes em que nos decepcionamos com a aparência de um alimento em relação ao que é exposto na embalagem. E, se isso ocorre é porque em algum momento acreditamos no que a imagem vende. E a imagem nos dias de hoje não serve apenas para contar a “verdade”, mas ao contrário, serve para alimentar e provocar desejos e ludibriar o espectador. A imagem publicitária não tem o intuito de vender apenas um videogame, por exemplo, quando nesse videogame o usuário pode salvar o mundo de um ataque de zumbis, ela vende não somente entretenimento como também uma forma de poder. A imagem é também formadora de pensamentos e sentidos e porque não, de identidades. Para pensar a importância da imagem na formação de pensamento é importante lembrar a censura, não somente a censura etária que ainda existe nos dias de hoje, mas a que existiu com muito mais rigor para todos durante o período de ditadura militar. Imagens, livros, discos eram censurados por atentarem à repressão. E sim, a imagem tem o poder de mudar um pensamento ou ideologia, estamos muito suscetíveis ao que elas nos provocam. Hoje em dia se diz que somos bombardeados por imagens, o que é verdade, porém não acredito que devamos nos preocupar em dar conta de todas elas ou do máximo possível de maneira compulsiva. Dentro dessa multiplicidade de imagens há sempre aquelas que nos chamam a atenção porque estão dentro ou se relacionam com a gama de interesses de cada um e com as quais estabelecemos relações de sentido, mas não com todas. Por isso é complicado se falar de métodos de interpretação pós-estruturalistas, pois não há consenso sobre o que é arte, o que é crítica e quanto mais como se deve interpretar ou se devemos interpretar as imagens. Talvez seja mais fácil perguntar “O que essa imagem te provoca?” e saber que muitas vezes ela não provocará nada além de desinteresse. Nem todas as imagens foram feitas para todos, bem como dentro da arte contemporânea há tipos diferentes de arte que acabam por interessar públicos diferentes, embora isso não seja declarado. Penso da mesma maneira que acontece com a música atualmente; Há música para jovens, para adultos e para crianças, há uma extensa gama de estilos que servem a diferentes tipos de público, há quem ame e quem deteste. Já nas artes visuais, o juízo de valor e o gosto pessoal tendem a ser descartados, embora eu acredite que essa é uma operação impossível já que estamos impregnados com nossos interesses e preferências. Acredito que a função de um formador de público não é a de fornecer métodos ou procedimentos de interpretação, ou ensinar a interpretar uma imagem, mas a de tornar os espectadores expostos a arte e a visualidade, dando dados para que se estabeleçam conexões e deixar que as relações também se estabeleçam sozinhas.
Autor (a) : Silvia
Fonte : Disciplina de Cultura Visual - UDESC / 2009
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