Artistas Visuais - O maior acervo de arte contemporânea da Internet.
| Artistas Visuais | Fórum
|
|
|
| | |
 
Notícias

CHIAROSCURO...

Permanência do inexi...

“... sobre as pequen...

O processo criativo ...

Museu de Londres ded...

Ver mais textos de artistas

 

 
Vídeos

Marina Abramovic...

...

Debora Ferreira...

Rafael Augustaitiz...

John Cage & Merce Cu...

Ver mais vídeo arte

 

 
Links

http://www.patricias...

http://www.ckk.org.b...

http://clickcriativo...

http://www.bentomour...

http://www.fiocondut...

Ver mais links

 

A ARTE DE ANDRUCHAK

 

A ARTE DE ANDRUCHAK
LUCI BONINI*

O século XX foi, sem dúvida, um grande marco divisório para as artes plásticas visuais a começar pelas décadas de 20 e 30 quando os movimentos de Vanguarda se espalharam pela Europa adensando na floresta da subjetividade suas perspectivas não mais tão lineares.
O positivismo científico começou a implodir com a publicação da Teoria da relatividade em 1905 e essa implosão levou a arte a repensar seus conceitos de espaço e tempo, de suportes e técnicas diversificadas, uma vez que a própria ciência disponibilizou novas alternativas de tintas, suportes, pincéis, espátulas e outros objetos que facilitaram o processo criativo nas artes visuais.
As vanguardas foram encorajadas pelas novas teorias científicas que relativizaram os olhares dos artistas, basta citar aqui Picasso, Joaquim Torres Garcia, Marinetti, Tristan Tzara, Marcel Duchamp e outros.
Na medida em que compreendemos conceitos emitidos pela Teoria da Relatividade e da Mecânica Quântica, aprendemos a extrair novos sentidos das coisas e o muito rápido, o muito pequeno e o muito grande passam a fazer parte dos nossos modelos de universo e influenciam, daí em diante, nossas formas de representação.
Foi o que aconteceu com os movimentos de vanguarda no início do século XX e que até os nossos dias influenciam nossos artistas.
A relativização do olhar baseou-se em dois dos conceitos da teoria de Einstein: a) de qualquer ponto onde se olhe o universo é o mesmo e b)nenhum fenômeno será observado da mesma forma por dois observadores diferentes, ou pelo mesmo observador duas vezes.
O resultado da combinação desses conceitos foi o nascimento de novos movimentos artísticos que tiveram, por vezes um ou apenas poucos seguidores, que buscavam uma representação do mundo de acordo com seus próprios observadores, diversos pontos de vista e modelos de universo, sem privilegiar um só paradigma.
Podemos utilizar o conceito de anamorfose cronotópica , que é aquele que relativiza ou perverte os cânones mais rígidos da perspectiva geométrica. A palavra cronotópica, utilizada por Bakhtin, foi emprestada da física; Einstein a utilizou diante da indissolubilidade das categorias de tempo e espaço.
Assim é a arte de Andruchak, herdeiro legítimo dessas vanguardas por dois motivos: pela originalidade na escolha de suas técnicas e de seus suportes e pelo fato de ser latino-americano-brasileiro, ou seja, ser o resultado de cultura híbrida, em cujo estado atual, dificilmente pode-se traçar fronteiras.


Na tela Andruchak - Pipas - 2004, encontramos uma intertextualidade, uma relativização do olhar com certas aproximações sígnicas entre os objetos voadores: pássaros, pipas, folhas que flutuam ao vento. O efeito plástico das formas geométricas mistura o céu azul ao dia ensolarado, já as cores denotam os claros dias de férias em que as crianças, livres como pássaros, imitam as aves ao se transformarem em prolongamentos das pipas.
O sonho de ícaro se manifesta em formas geométricas simples e leves como a rabiola das pipas que se apresentam leves ao sopro do vento.
No verso da tela, o poeta não tem o efeito da cor, mas convida as palavras para que elas remontem à memória de dias de infância, cujos papéis a serem desempenhados pelo ser humano são a alegria e as pipas que a materializam. O poeta pintor ou pintor poeta fala das brincadeiras de criança que lhe já lhe conferiam um status de artista, pois a saudade latente do amanhecer do ser humano, destila o mel da criação em tons e cores coloridos das férias que não voltam mais.
Voltando à questão dos reflexos da disseminação das novas teorias científicas no começo do século, podemos citar Apollinarie: “a geometria é para as artes plásticas o que a gramática é para a arte de escrever” , e mais adiante acrescenta: "Hoje os cientistas já não se atêm às três dimensões da geometria euclidiana. Os pintores foram levados natural e, por assim dizer, intuitivamente, a se preocuparem com as novas medidas possíveis de espaço, que se indicam brevemente em seu conjunto, na linguagem figurativa dos modernos, pelo termo - quarta dimensão." Isso demonstra a preocupação com a ciência; o Cubismo que trazia, em seus quadros a solidez e a densidade, o volume e pressupunha uma visão bi-ocular parece ser resultante de instigantes percursos feitos, pelos artistas nos caminhos intrínsecos do conhecimento científico.
É , ainda, Apollinaire que afirma “ Adoro a arte de hoje, porque adoro mais que tudo a luz, e todos os homens amam mais que tudo a luz: inventaram o fogo. Para todas as artes, o que importa é a luz, a luz incorruptível. Pintar é uma arte assombrosa, na qual a luz não tem limites”.
Um bom exemplo dos encantos que a luz traz é a obra Andruchak - O Sol da Tarde - 2004.


Nesta pintura confirmamos as afirmações de Apollinarie e nos lembramos da tomada de consciência do homem com relação a luz. À descoberta da fotografia, seguiram-se outras descobertas impressionantes que estavam ligadas a esta ou à própria luz, podemos citar a sensibilização de chapas fotográficas por vários estímulos, um dos quais resultou na descoberta dos Raios X; a experiência semelhante de Henri Bequerel com substâncias radiativas, isso sem contar as preocupações com a própria velocidade da luz no final do século XIX, e em 1911 a 1ª conferência do Conselho de Solvay cujas principais abordagens foram: radiação e quantum. Isso registra o que muitos autores já referendaram que o final do século XIX e o século XX foram para as ciências assim como a Renascença foi para as artes.
Os encantos da luz se expressam nessa obra que varia nos tons do vermelho e do branco. No espectro solar o vermelho é a freqüência mais densa enquanto o branco é a luz por excelência, pois é mistura de todas as outras. A curvatura da luz no sol da tarde vem da janela se espalha pelo ambiente florido, atravessa o vaso de flores, mas não se refrata: continua branca e suave e faz a curva impossível para qualquer feixe de luz.
Um dos passos mais importantes da humanidade que tentamos demonstrar aqui é que, arte e ciência se equiparam (exatamente na transição do século XIX para o XX, trazendo conforto, beleza, vida prática em seus processos criativos): a primeira passa a teorizar sobre si mesma, a segunda caminha em busca de um público que a compreenda, sinta prazer por ela e segundo o Prêmio Nobel de Física, Emílio Segré “(...) a pesquisa científica é tão fascinante, dramática e plena de interesse humano quanto à criação artística.”
Nada mais compreensível que arte e ciência produzissem em suas criações, talvez ainda que de forma discreta, a interdisciplinaridade, assim com a Bauhaus pôde exemplificar ao incluir a concepção de um edifício em sua totalidade. De acordo com seu manifesto de fundação : “Arquitetos, pintores e escultores devem reconhecer novamente o caráter complexo de um edifício concebido como totalidade. (...)”
Globalização, então, ao invés de ter um caráter reducionista ou simplificatório do mundo, teria um caráter de união das várias totalidades, o direito de se salvaguardar as individualidades, e especificidades criadas pelas ciências, que irão se unir a fim de solucionar problemas coletivos. Se no passado acadêmico do homem encontramos mentes múltiplas como Alberti, Da Vinci, Michelângelo, no presente temos especificidades, tipos diferentes de inteligências que se unem, e, abrem possibilidades de se preencherem com outras formas de conhecimento.
O próprio artista se dá conta disso quanto diz: “Passando isso tudo, talvez uma revolução na arte ou quem sabe uma outra concepção na visão idealizadora de um novo movimento seria interessante. O fim propósito seria de atingir não apenas o entorno, mas grupos bem maiores. Ouve-se muito o uso do tal marketing de guerrilha em que as bases do tradicional são extrapoladas e vemos então novas formas de acepção da arte e de sua divulgação procurando tomar conta e ganhar espaço. Não seria uma saturação de artistas mas a liberdade de expressão cada dia mais incentivada a partir de conceitos absolutamente subjetivos.”. Assim pensa o artista, que deixa aportar na sua obra todo o universo em que ele mesmo está mergulhado, que é a sua tarefa como professor universitário, uma mente complexa, e portanto, multidisciplinar.
Por isso a obra de Andruchak é tão extensa e profunda; ao mesmo tempo que trabalha momentos do cotidiano em flashes singulares no seus acrílicos sobre tela ou ainda nos seus murais despojados de grandiosidade e ricos em crítica social. A subjetividade da qual fala o pintor está aí, cada dia mais incentivada, é o reflexo das vanguardas, e assim, posso terminar como comecei: a herança do século XX se estendeu muito mais além do que se imaginava.

_________________________
Luci Bonini é doutora em Semiótica pela PUC-SP é professora nas Universidades Braz Cubas e Universidade de Mogi das Cruzes.

Autor (a) : Luci Bonini

Fonte : lucibonini.blogspot.com

 

 

 
   
ADICIONAR ITENS DE ARTES
 
Adicionar link
Adicionar imagens artistas
Adicionar textos artistas
TEXTOS DE ARTE CONTEMPORÂNEA
 
CHIAROSCURO...
Permanência do inexi...
“... sobre as pequen...
O processo criativo ...
Museu de Londres ded...
Instalação...
Mostra do argentino ...
O dispositivo imersi...
A HIDRA DE LERNA * S...  
Vídeos sobre a gravura
 
- xilogravura
- gravura-em-metal
Apóio Cultural
 
Editora de Gravura
Galeria de Gravura
 
Sites do grupo
Artistas Visuais
Gravuras
Arte e Tecnologia
TV Digital Arte
Fine Art - Giclée
GaleriaB
Gravuras
 
 
         
Todos os direitos reservados para artistasvisuais.com.br (resp. wiltao - wilton pedroso).