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O corpo como nossa mais íntima morada, o nosso estar, existir, matéria que somos.
A matéria, a carne, os ossos, os órgãos, os processos. Ligação com o natural, o ser e sua permanência limitada.
A boca, as entranhas, o ânus, nos fazem perceber que pertencemos ao mundo, mesmo quando nosso pensamento ou intelectualidade nos quer desprender. As ciências mentais querem elevar o homem acima de seus próprios meios, acima de sua própria matéria. Mas o corpo e seus processos, sua anatomia, as relações interiores, do subcutâneo, do interno, o estômago, os pulmões, as veias e artérias, ossos e músculos, esses sim nos lembram de nossa real existência.
A nossa matéria registra todo o percurso, nossa passagem, ela não é etérea, mental ou filosofal. Ela tem cheiro, massa, textura, densidade, não flutua afunda no solo, tem peso, força. Porém é frágil, nos fragiliza. Por vezes a mente tenta nos elevar enquanto que a matéria, o corpo nos puxa para baixo, nos coloca nos nossos devidos lugares, não é mais do que pode, é transitório, passageiro, breve. O homem sabe disso e sofre, se vê como animal, como espécie. Percebe o corpo como coisa, como matéria, matéria em transição, em transformação, matéria sendo marcada pela existência até o ponto derradeiro.
O crânio, o tórax, as mãos, os pés, a pélvis, a escápula, clavícula, metacarpos, falanges, cérebro, órbitas, intestino, unhas...
A ciência nos apresenta para nós mesmos de forma organizada, sintética e artificial.
A medicina nos esquarteja delicadamente, revelando nossas camadas, fazendo o interior vir à tona, o interior da matéria, da nossa matéria.
Autor (a) : LOBO
Fonte :
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