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SURREALISMO

 

No período entre guerras a Europa vivia um clima de instabilidade. De um lado pela tentativa de reconstrução social e por outro o de esquecer os recentes horrores da I Guerra Mundial. A arte clássica não era capaz de ocultar um estado de espírito transformado de descontentamento em náusea, dirigido não só contra os responsáveis pela guerra como também à sociedade impregnada do raciocínio burguês.
Em oposição aparece o movimento “dadaísta” que transforma em sátira, em parodias grotescas o cotidiano urbano. Como resposta “Dada voltou-se para o absurdo, para o primitivo, para o elementar”. Criticava a condição humana diante de um mundo cada vez mais complexo.

O movimento Dada incorporou a repulsa pela “podridão da sociedade”, que ao invés de denunciada pelos artistas, foram eles envolvidos nos “espasmos agônicos” de um burguesia decadente. Clamavam por um colapso numa arte da qual eles mesmos dependiam. Através do ataque violento as artes instituídas e do “piadismo... exprimiam sua cólera e frustração”. Picabia e Man Ray produziram perfeitas obras dadaístas de agressão através de objetos como Retrato de Cézzane: um macaco empalhado; ou Presente, um ferro de engomar comum, com pregos afiados soldados na base.
Para Picabia “as verdadeiras obras de arte moderna não são feitas por artistas, mas por homens, simplesmente.” Isto retirava de uma classe em especial, o poder mágico da criação artística e colocava personagens como Duchamp e seu porta garrafas no destaque de um produção onde um objeto ordinário deslocado para o campo das galerias de arte, assumia conotação de contestadora, feito um cavalo de Tróia, infiltrando um novo olhar sobre o conceito de arte.

Neste clima convulso, as recentes teorias de Freud sobre o inconsciente se juntam a pintura metafísica de Giorgio de Chirico e o movimento “dadaísta”, desembocando no movimento Surrealista. Estes se incluem no contexto de movimentos de vanguarda vindo a definir o futuro Modernismo.
No outono de 1924, André Breton poeta e escritor, principal teórico do movimento publica o Manifesto Surrealista. Este define como “puro automatismo psíquico através do qual se deseja exprimir, verbalmente ou por escrito, a verdadeira função do pensamento”. Sua meta era libertar-se das exigências da lógica e da razão indo além da consciência cotidiana expressando o inconsciente e os sonhos.

Na idéia da reunião de duas realidades separadas sem abandonar a experiência herdada do dadaísmo, Breton vê, porém no conceito de Sigmund Freud sobre o inconsciente uma possível diretriz para libertação da imaginação. Sem atentar muito aos pormenores dos processos mentais da teoria de Freud, levava em conta tão somente a existência de um reservatório de memórias e experiências recalcadas, com existência paralela os quais seriam eventualmente acessadas.

Dizia Breton; “Acredito na futura harmonização dos dois estados, aparentemente tão contraditórios, do sonho e da realidade. Acredito numa espécie de realidade absoluta, de suprarealidade.”

A partir daí começam experiências com auto-hipnose na tentativa de atingir o “automatismo psíquico”, estado em que a barreira entre o consciente e inconsciente mantida pela razão poderia eventualmente ser rompida. Destes experimentos participaram além de Breton, Aragon, Max Ernst,René Crevel, Robert Desnos.Todos futuramente surrealistas.

Vários incidentes perturbadores leva-os a abandonar esta prática ficando porém a idéia de que a ação surrealista deveriam permanecer no espaço do inconscientes, num fluir subterraneamente.

Inicialmente o movimento estava mais dirigido à linguagem e a poesia. No inverno 1922-1923, Joan Miró encontra Masson em Paris. No ambiente artístico fermentava-se novas idéias geradas pelo surrealismo. Disse Miro “Vou rebentar a guitarra deles”. Em 1924 Masson começou a fazer desenhos automáticos com bico de pena, obtendo uma extraordinária coerência. Como a tinta óleo oferecia dificuldades de fluidez passou a usar grossas camadas de cola posteriormente cobertas com areia. A tela era então inclinada, o excesso removido deixando um desenho que era reforçado com linhas ou barras de cores que explicitavam a imagem provocada. Miró por sua vez se concentrava mais na obra propriamente dita que na teoria desses processos.

Noutro momento Masson explica: “Começo sem qualquer imagem ou plano na cabeça, e desenho ou pinto rapidamente, seguindo meus impulsos. Gradualmente, nos sinais que faço, principio a ver sugestões de figuras ou objetos. Encorajo estas formas a emergir, procurando extrair suas implicações da mesma maneira como agora procuro conscientemente ordenar a composição”.A ação de aplicar a tinta direto do tubo facilitava este processo.
Já Max Ernest explorava os recursos de frotagem. Lançando uma folha de papel sobre superfície com rachaduras em paredes ou assoalho extraia desenhos friccionando grafite negro. Esta técnica onde quase não há participação do autor se aproxima da escrita automática e atendia a intenção do autor em pesquisar o “simbolismo desta obsessão pessoal”.

Uma outra técnica a de grattage consistia em deixar escorrer a tinta sobre a tela retocando o resultado. Chirico embora não tenha se tornado um surrealista, influenciou Ernest, Tanguy e Magritte. Dali e Magritte criaram as mais reconhecidas obras do surrealismo. Dali estudou em Barelona, depois Madri onde conheceu Luis Buñuel cineasta que se tornaria seu amigo.Expulso da academia foi para Paris onde fez amizade com Picasso e Breton. Entusiasmado com a obra de Tanguy e o maneirismo de Arcimboldo adere ao movimento. Em 1929 faz o filme “O Cão Andaluz” com Buñuel criando o conceito de “paranóia crítica”, referindo-se a atitude de recusa a lógica que rege a vida comum das pessoas. Na década de 30 instala seu ateliê em Roma, mas continua a viajar. Após conhecer Freud em Londres viaja para a América publicando sua bibliografia. Retornando a Europa fixa definitivamente em Port Lligat com Gala, sua musa e mulher. Até sua morte em 1970 dedicou-se ao desenho e a construção do seu museu.
Miró iniciou sua formação na escola de La Lonja, Barcelona. Em 1912, conhece Picabia, Picasso e seus amigos cubistas, permanecendo algum tempo no grupo. A partir de 1920, instala-se em Paris, reunindo-se a Masson, Leiris e Altaud. Breton fala de Miró como o máximo do surrealismo destacando como uns dos grandes gênios solitários do século XX.

A famosa magia de Miro, se manifesta em telas de traços nítidos e formas sinceras na aparência, mas difíceis de serem elucidadas, embora se apresente em formas amistosas ao observador.
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Ades, Dawn. O dadá e o surrealismo. Ed. Labor 1976
Sites acessados em 28/05/2007:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Surrealismo
http://www.historiadaarte.com.br/surrealismo.html



Autor (a) : Adão Roberto Gonçalves Swatowiski

Fonte :

 

 

 
   
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